Dislexia em destaque na S.W.A.T

Seriado policial, retrata o dia a dia de um Esquadrão Especial da policia americana.

A série americana, S.W.A.T, retrata o dia a dia de um esquadrão de armas e táticas especiais e o universo dos personagens vai sendo retratado também.

Nos episódios 21 e 22, da primeira temporada, em segundo plano na trama, o esquadrão recebe um grupo de alunos que tiveram problemas disciplinares na escola. O personagem Luca (Kenny Johnson) é designado para acompanhar as crianças nesse dia de visita ao esquadrão especial.

Primeira questão que vale refletir é a relação dos alunos com dificuldades de aprendizagem e a indisciplina no espaço escolar. Aqueles alunos estão participando de um programa de “Ações Disciplinares” que nos leva ao circulo vicioso do aluno que não acompanha o conteúdo nas aulas virar um problema de disciplina, que por vezes ele é retirado de sala de aula e fica cada vez mais fora do processo de ensino / aprendizagem.

Ao não conseguir participar ou não ter bom êxito nas atividades propostas pela professora o aluno se dispersa e cria um ambiente de indisciplina, que pode virar uma bola de neve colocando esse aluno cada vez mais excluído do processo de aprendizagem na turma que pertence.

No primeiro episodio o sargento David Kay (Jay Harrigton), bate um papo com um dos alunos que é cadeirante e aconselha, de forma carinhosa, a usar melhor seu potencial.

O policial Luca (Kenny Johnson), percebe que uma das crianças não consegue ler, como ele também é disléxico, se identifica com a menina, se preocupa e busca ajudar sem expor a criança. Um momento muito bonito dando esperança a menina. O tema é abordado de forma leve. Quanto mais falarmos sobre o assunto mais ajuda a desmitificar e a sociedade passa entender melhor do que se trata. Como profissional da elite policial é importante falar também que dislexia não é sinônimo de fracasso profissional.

O segunda episódio, a mãe da menina procura uma escola nova onde sua filha possa se desenvolver melhor . Há nesse momento uma critica sobre como a escola enfrenta o desafio da incluir todos no processo de aprendizagem.Como a família sofre nessa batalha de propor um ensino eficaz para os filhos que tem dificuldade aprendizagem.

Gosto muito da série, vale conferir.

Valorize o potencial e se surpreenda!

sugestão de fim de semana

Estrelado por Cuba Gooding Jr, baseado em um caso real, o filme conta a história do Dr. Benjamim Carson, Norte Americano, ele é um dos maiores neurocirurgiões do mundo.

A mãe de Benjamim não teve oportunidade de estudar mas incentivava os filhos a grandes conquistas. No dia que recebe o boletim com notas baixas, ela percebe o desanimo do filho e o motiva ainda mais: ” Você não foi feito pra fracassar”. A voz da mãe ecoa e o acompanha em toda a sua trajetória de sucesso.

Professores também fizeram diferença na vida de Benjamim, elogiando e percebendo seus interesses criaram oportunidades para que ele avançasse pela pesquisa.

Uma boa dica para as reuniões de pais, quando a quarentena acabar, pois incentiva a participação dos pais na vida escolar dos filho e a relevância da família no sucesso escolar.

Uma história emocionante para aquecer os corações nesse final de semana, quando o frio se aproxima. Uma família batalhadora como tantas, nos deixa o exemplo de como os filhos podem nos surpreender.

Bom filme.

Jogos eletrônicos e o TDAH

O jogo é chamado de EndeavorRX pelos desenvolvedores Akili Interactive e visa melhorar a atenção de crianças de oito a 12 anos diagnosticadas com TDAH (Foto: Divulgação)
O jogo é chamado de EndeavorRX pelos desenvolvedores Akili Interactive e visa melhorar a atenção de crianças de oito a 12 anos diagnosticadas com TDAH (Foto: Divulgação)

https://revistacrescer.globo.com/Criancas/Saude/noticia/2020/06/pela-primeira-vez-jogo-de-videogame-desenvolvido-para-ajudar-criancas-com-tdah-pode-ser-prescrito-como-medicamento-nos-eua.html

Discalculia

Matemática em Foco

Muitas crianças sofrem pela incompreensão da Discalculia. Fonte: CANVA 2020

A matemática é uma disciplina temida por muitos, que sofreram e sofrem em sua trajetória escolar, mas para alguns estudantes ela é um desafio bem maior.

Algumas pessoas tem um transtorno de aprendizagem que faz com que o esforço com a matemática esteja acima da normalidade. Considerando a idade cronológica, a intervenção pedagógica e a experiência, a compreensão do aluno sobre os conceitos matemáticos é muito abaixo do esperado.

A discalculia é um transtorno de aprendizagem, de origem neurológica, que afeta capacidade do raciocínio matemático.  

Segundo especialistas, nem todas as pessoas que tem Dislexia (transtorno de aprendizagem, que afeta a capacidade da leitura e compreensão de textos) terão também a Discalculia (transtorno de aprendizagem que afeta o raciocínio matemático). Dislexia e Discalculia, compreendem dois transtornos de aprendizagem distintos que podem aparecer conjuntamente ou não, podem estar associados devido ao fato do transtorno de aprendizagem impactar a memória de trabalho ou memória de curto prazo, necessária à aprendizagem.

Ente as características deste transtorno estão as dificuldades em:

  •  Reconhecer, escrever e sequenciar os números, podem inverter os números na escrita
  • Organizar as coisas de forma lógica
  • Compreender e realizar as quatro operações (adição, subtração, multiplicação e divisão)
  • Resolver problemas matemáticos
  • Memorizar funções matemáticas
  • Classificar e medir
  • Entender as medidas de tempo (dias, mês, ano, verificação das horas)
  • Diferenciar a direita e a esquerda
  • Fazer cálculo mental

O aluno que tem Discalculia deve ser acompanhado por um especialista, uma psicopedagoga que o auxilie a desenvolver o seu potencial, para que ele não fique de fora do processo de aprendizagem. O acompanhamento desde o início da vida escolar é de grande valia para o aluno, podendo ter assim sua trajetória escolar de sucesso.

Essa disciplina, no universo escolar é a que mais reprova, sendo um carrasco para muitos alunos. Com transtorno de aprendizagem ou não,  um fracasso escolar poderá acompanhar o estudante gerando um mentalidade de que a matéria não é para todos.

O fracasso escolar mexe muito com a crença de autoeficácia do aluno, que aos poucos vai desistindo de estudar e causando bloqueios para a aprendizagem. Antes de tentar realizar as tarefas o aluno já diz que não sabe, alega que “ não sou bom na matemática”.

Criar uma mentalidade de sucesso na matemática, valorizando os pequenos avanços do aluno com dificuldade de aprendizagem vai gerando, em contrapartida, uma crença de que é capaz de aprender. Por isso que entre as atividades propostas pelo professor, deva ter sempre uma que o aluno acertará com certeza, esta servirá como estimulo e o impulsionará a fazer cada vez mais. É preciso incentivar a autoconfiança do aluno, valorizando, com isso, os avanços e recompensando com elogios, fazendo com que ele se esforce a avançar cada dia mais.

Alguns jogos educativos, além de estimularem o raciocínio rápido e o desenvolvimento de outras competências oferecem uma recompensa motivacional visual e auditiva. Nesses jogos quando o aluno acerta aparecem fogos parabenizando-o com uma música festiva. Além do estimulo cognitivo como atenção, rapidez do raciocínio, o estimulo visual e auditivo, os jogos proporcionam também um estímulo emocional para a crença de autoeficácia.

Jogos como Kan Academy e Matific, são exemplos de estratégias que proporcionam o que foi citado acima. Plataformas de aprendizagem onde o aluno desenvolve várias competências além da auto confiança.

No livro “Mentalidades Matemáticas”, a autora Jo Boaler, fala sobre a necessidade de mudarmos nossa mentalidade diante da disciplina e trabalharmos como educadores para que os alunos tenham experiências de sucesso diante dos desafios, tornando-a prazerosa e possível para todos os mortais e não somente para as mentes brilhantes.

Para a Boaler é possível estimular o potencial das estudantes através de uma matemática criativa, do ensino inovador e de estimulo à autoestima, considerando o erro como oportunidade de aprendizagem.

A matemática, está presente no nosso dia a dia, seus conceitos perpassam todos os nossos afazeres, então podemos correlacionar os conceitos aos conhecimentos prévios do aluno, possibilitando que ele experimente, construindo o raciocínio a partir do concreto, do que vivencia.

O erro não pode ser fatal, o fim da linha, mas um ponto de partida ou de retorno, porque permite entender como o aluno está raciocinando o conteúdo, dando ao professor oportunidade de retomar a explicação para que de fato o aluno compreenda.

Assim como, valorizar o raciocínio do aluno e não apenas o cálculo, disponibilizar materiais de referência como a tabuada, formulas, calculadoras contribui para que tenham um suporte para realização das tarefas.

Ofereça materias de referência.
Disponibilize materiais de referência. Fonte: CANVA

A tabuada é um desafio potencializado pelos estudantes, visto que a memória de curto prazo é afetada pela Discalculia, então saber a tabuada de cor e salteado nem sempre será fácil, por mais que sejam capazes de compreender a lógica da tabuada. Ter uma tabuada na sala, disponível para os alunos ou permitir que eles façam no verso da folha, na avaliação, já facilita. Assim como ter o material concreto, acessível para que possam tocar e visualizar o que os números representam.

A família deve ter paciência com sua expectativa sobre a aprendizagem do filho, a ansiedade gera ainda mais frustação em pais e filhos. O aluno com Discalculia ou outro transtorno de aprendizagem é capaz de aprender, pode levar um tempo maior para isso, mas com estratégias adequadas vai se apropriando dos conhecimentos.

A melhor forma de ajudar o filho é elogiar e criar estratégias domésticas de estímulo. Inclua no dia a dia da família brincadeiras que envolvam números e o raciocínio matemático, deixe que ele resolva sozinho, tenha um relógio digital e de ponteiro, faça receitas e peça que a criança participe medindo os itens, separando os elementos, deixe que ele pense o troco no mercado (sem expor a criança ou adolescente). Ponha a mesa e peça que pense: Quantas pessoas participarão? Quantos pratos, garfos, facas e copos precisamos? São pequenas coisas que ajudarão a compreender a necessidade desses conhecimentos para o dia a dia. É possível verificar que os filhos são muitos criativos surpeendendo a todos. Elogie sempre, “porque o elogio é tão acolhedor como um abraço” (Jo Boaler).

Nossa sociedade super  valoriza a disciplina de exatas mas as outras disciplinas são igualmente importantes para a vida fora dos muros da escola. Não ser o aluno brilhante em matemática não pode ser potencializado também como aluno menos inteligente, pelo contrário,  precisamos repensar o ensino da disciplina favorecendo alunos com transtorno de aprendizagem e a todos os demais.

Recomendo a leitura do livro de Jo Boaler, que influenciou muito meu pensamento e junto com outas leituras mudou meu modo de ver a educação escolar, me levou a estudar a importância da autorregulação da aprendizagem, da crença da autoeficácia, baseados na Psicologia Social Cognitiva, de Albert Bandura.

Devemos fazer da escola um espaço acolhedor para todos, inclusivo, estimulando o potencial dos alunos.

Deixe seu comentário sobre o tema e como vocês fazem para ajudar alunos e filho com Discalculia.

Fonte:

Boaler, Jo. Mentalidades matemática: estimulando o potencial dos alunos por meio da matemática criativa, das mensagens inspiradoras e do ensino inovador.Jo Boaler; tradução: Daniel Bueno;revisão  técnica: Fernando Amaral Carnaúba, Isabele Veronese, Patricia Candido,-  Porto Alegre: Penso, 2018

Vale a leitura.

Dislexia na adolescência

5 DICAS PARA FACILITAR OS ESTUDOS 

Imagem do Canva

A adolescência é uma fase encantadora, cheia de descobertas e de novidades, mas é também um momento de conflitos em que a família precisa ter suporte para auxiliar os filhos com dificuldade de aprendizagem.

A organização brasileira de dislexia, define dislexia como :

“A Dislexia do desenvolvimento é considerada um transtorno específico de aprendizagem de origem neurobiológica, caracterizada por dificuldade no reconhecimento preciso e/ou fluente da palavra, na habilidade de decodificação e em soletração.” (http://www.dislexia.org.br/o-que-e-dislexia/) definição baseada na  IDA – International Dyslexia Association, em 2002.

A transição da infância para a fase adulta traz uma série de transformações na vida do individuo e a escola é o lugar onde seu potencial é testado a todo momento, além disso ele está suscetível a críticas dos seus colegas, dos professores e de outros profissionais da escola. 

Quando o aluno apresenta dificuldades de aprendizagem normalmente ele fica isolado em sala de aula por não acompanhar o desenvolvimento e infelizmente pode sofrer microagressões (piadas que questionam sua capacidade de aprender). O aluno de baixo rendimento vira, por vezes, um caso de indisciplina, com isso ele é colocado para fora de sala e num circulo vicioso acaba  ficando cada vez mais fora do processo de aprendizagem.

O laudo da dislexia facilita a vida do adolescente porque saberá  de onde vem sua dificuldade, podendo assim se entender melhor e explicar aos professores e colegas.

No início deste ano (2020), recebemos uma aluna nova do 7º ano, ela já chegou declarando ao professor de português que era disléxica, sabia dos seus direitos, se posicionou com tranquilidade e explicou como  os professores fazia na escola anterior.

Esta aluna tinha um laudo, teve acesso a um acompanhamento especializado mas nem todos tem acesso a tudo isso. Entretanto sei que ela, ainda assim,  teve experiências não positivas em outras escolas, saindo da particular para a pública. A vida escolar pode ser cruel para um aluno com dificuldade de aprendizagem, um ambiente hostil que mexe com sua crença de autoeficácia.

Por isso afirmo que ser tratado e acompanhado desde o início da vida escolar possibilita que ele crie estratégias de resiliência ( “…Na área da psicologia, a resiliência é a capacidade de uma pessoa lidar com seus próprios problemas, vencer obstáculos e não ceder à pressão, seja qual for a situação.) definição retirada do site – https://www.significados.com.br/resiliencia/ ) , podendo se posicionar com mais tranquilidade. Compreendendo que mesmo precisando de um tempo maior para entender  aquilo que lê, ele é uma pessoa inteligente e capaz como todos os outros alunos da classe. Pode, desde modo, sonhar com qualquer futuro profissional que desejar.

O segundo segmento do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, é uma mudança radical na vida do estudante.

Algumas escolas têm uma professora por turma, no primeiro segmento do ensino fundamental (1º ao 5º ano), outras tem dois ou três no máximo. Turmas menores, com número menor de alunos onde todos são melhor acompanhados, quase que individualmente pela professora.

Na etapa seguinte, do ensino fundamental, o segundo segmento, são 8 professores ou mais, se a escola for de turno único (7 horas). Os professores mudam a cada tempo de 50 minutos de aula. A escola é maior e requer uma autonomia que o aluno, em muitas vezes, ainda  não desenvolveu.

Essa nova etapa de ensino é um grande desafio para todos os alunos. Considerando o aluno disléxico, como ele se adapta nesse cenário?

Se a família tem um laudo deve entregar logo na matrícula e o aluno pode avisar a cada professor sobre sua especificidade. Se o professor não entender sobre do assunto, converse com a coordenação pedagógica. Conheço pais que ficam na negação, o que dificulta o desenvolvimento do aluno , alegando que é preguiça de estudar não buscam ajuda para os filhos, estes irão possivelmente reprovar e manter o ciclo do fracasso escolar.

A pergunta que quero levantar é como podemos ajudar o aluno disléxico na adolescência?

  • Reforce a crença de que ele é inteligente – Saber é que é inteligente é muito importante para o individuo  desenvolver uma auto estima positiva, confiar no seu potencial de aprender, que é competente em outras áreas do conhecimento. Se o aluno criar um pensamento de que não gosta de escrever, por exemplo, fazer uma redação será um grande sofrimento. Cabe aos pais e educadores reverterem essa crença, ensinando a fazer uma redação com outras estratégias e elogiando para que ele se arrisque a fazer depois, como sempre falo “elogie o esforço” mais que o resultado. Cada vez que você elogiar o próximo resultado será melhor.
  • Identifique o perfil de aprendizagem do aluno – Como o aluno aprende melhor? Cada pessoa tem um estilo diferente de estudar e de aprender. Existem pessoas que gostam de copiar todo o conteúdo, outras leem em voz alta ou gostam de fazer anotações.  Nós aprendemos através dos sentidos, então envolver um número maior de sentidos na experiência de aprendizagem favorece principalmente o aluno disléxico, crie um música que lembra o conteúdo,etc.
  • Planeje um horário de estudo –  separar no dia um horário de estudo facilita porque não acumula o conteúdo para o dia da prova. O aluno terá o conteúdo explicado pelo professor  ainda fresco na memória. O ambiente onde irá estudar, sempre que possível, deve ser calmo. sem distratores que desviem a tenção do estudante, que facilmente se dispersa.Deixei abaixo um modelo de planejamento de estudos para organizar melhor as tarefas escolares.
  • Tenha alguém que ajude na leitura na hora do estudo – garanta que ele entendeu aquilo que foi lido, faça perguntas a respeito do assunto, faça paralelos com outros assuntos atuais, trabalhe a oralidade, a capacidade de falar sobre o que foi estudado. Se for possível ler o conteúdo antes da aula, isto fará com o aluno chegue com um conhecimento prévio do assunto facilitando a interação em sala de aula, ele poderá contribuir com o professor e isto pode impactar sua auto estima.
  • Faça um  Mapa Mental – resuma o conteúdo através de um gráfico que organiza o conteúdo estudado. O mapa mental é um diagrama que cria uma correlação dos conteúdos facilitando a fixação do que foi estudado. O mapa mental será usado para revisão do conteúdo sempre que necessário. Abordaremos este tema em outro artigo, porque é uma estratégia que surte muito efeito na aprendizagem do aluno com dificuldades de aprendizagem.
Sugestão de planejamento de estudos
MAPA MENTAL ELABORADO NO CANVA

Alguns estilos de letra no computador facilitam a leitura do disléxico, das letras convencionais podemos mencionar “Helvetica, Courier, Arial, Verdana e Computer Modem Unicode” identificadas por especialistas como facilitadoras da leitura. Porém no site http://www.dislexclub.com/instalar-letra-da-dislexia/, você encontra um passo a passo para instalar outros estilos de letras no seu computador, podendo assim, adequar os textos que os professores enviarem.

Há outras estratégias que colaboram para facilitar a vida escolar e aos poucos vamos abordando aqui no blog, deixe nos comentários se você tem encontrado outros caminhos e se já passou por esses que foram sugeridos.

Quando a leitura é um sacrifico.

A leitura é fundamental para que o indivíduo seja um cidadão participante da vida em sociedade. Lutamos muito para que todos tivessem acesso ao direito de ler e escrever, essa competência nos remete a liberdade, a participação ativa em uma sociedade baseada na leitura e escrita.

Para alguns desenvolver essa competência não é um processo muito fácil, temos pessoas que demonstram um ritmo diferente na aprendizagem da leitura e mesmo diante de estratégias adequadas precisam de novos olhares.

A família e a escola cobram que a criança tenha rapidez no desenvolvimento dessa competência, mas não somos iguais e podemos ter um tempo diferente para aquisição da leitura com autonomia. Alguns alunos lerão com alguma dificuldade por terem uma especificidade que faz com que o cérebro se comporte de forma diferente diante do desafio de coordenar a leitura.

O processo da leitura no indivíduo requer uma maturidade, algumas crianças surpreendem, deslancham e no click estão lendo, outras vão ter que caminhar todo o processo de alfabetização e ainda temos outras de vão precisar de várias estratégias para ler.

Para início dessa conversa quero registrar que o acesso à leitura deve iniciar desde cedo na vida da criança, os pais devem ler e oferecer livros para que elas tenham contato desde cedo com a leitura. Fazer da leitura um exercício diário reforça um laço positivo com a criança que poderá ler as gravuras que o livro apresenta, fazer vozes diferentes para cada personagem. Assim começará a perceber desde cedo que aqueles signos (letras) juntas representam algo diferente. É comum que o livro que já foi muito lido, seja familiar para a criança e ela vai com o dedinho imitando a leitura do adulto. Fundamental essa memória para o desenvolvimento da leitura.

A neurocientista Cristina dos Santos Cardoso de Sá, em entrevista à revista Nova escola afirma:

 Portanto, a família pode iniciar os filhos no universo da leitura oferecendo livros desde cedo e lendo todos os dias. Quando for a escola já estará com uma memória de que ler é muito importante, eu preciso aprender porque é uma competência valorizada na família e na comunidade.

“ … a neurociência propõe estimular a criança com leituras diárias, para automatizar o processo e facilitar a interpretação de texto, e escritas cotidianas, para robustecer a memória da criança, ajudá-la a dialogar consigo mesma e com outras pessoas e estimulá-la a tomar decisões constantemente. Afinal, na escrita ela precisa escolher as palavras e alinhavá-las bem para que faça sentido o que deseja transmitir.” (Cristina dos Santos Cardoso de Sá é professora da Unifesp e doutora em neurociência do comportamento) https://novaescola.org.br/conteudo/16062/como-a-neurociencia-pode-ajudar-a-educacao

O Instituto Pró livro elaborou uma pesquisa em 2016, Retratos da Leitura no Brasil, 4ª edição, sobre os hábitos de leitura do brasileiro, onde conclui que  44% da população não lê e 30% nunca comprou um livro (fonte: https://hoje.vc/2ju-0). Confirmando que muitos brasileiros não desenvolveram   hábito da leitura ou são apenas leitores funcionais, conseguem decodificar os símbolos linguísticos mais não compreendem o texto. Não compreender o texto faz com que ele se torne apenas um emaranhado de letras e códigos sem sentido e sem função.

Ainda temos muitos desafios para que uma maior parcela dos alunos se apropriem da leitura e sejam assim leitores competentes, capazes de ler e construir seus próprios textos. O que podemos fazer então para envolver todos nessa aventura da leitura?

Não pretendo falar de métodos de alfabetização porque o melhor é aquele que a professora conhece bem e está segura para desenvolver, ter um profissional melhor capacitado e experiente para a alfabetização é meio caminho andado.

 A família deve acompanhar bem de perto esse momento da alfabetização para não perder nenhuma fase daquilo que a professora planejou. As faltas dificultam imensamente o processo de alfabetização, vai cirando lacunas quando o aluno não é presente nas aulas.

O aluno deve ser presente em todas as fases de ensino, não deve faltar, porém quis enfatizar que nos anos iniciais a falta é muito prejudicial e algumas famílias são mais acomodadas e acham que um dia não tem problema, que a falta é pertinente, qualquer motivo é válido para deixar os pequenos fora da escola.

Percebendo que a criança tem alguma dificuldade na fala já é sinal para procurar ajuda de uma fonoaudióloga para trabalhar a pronúncia correta das palavras, assim como verificar a audição e a visão, em caso de dúvidas procure um especialista. A parceria da família coma escola deve ser reforçada para que a professora tenha liberdade de falar quando a criança não estiver acompanhando o ritmo de aprendizagem da turma e juntos pensarem em estratégias de cooperação família/escola.

Para algumas pessoas a leitura é um sacrifício, é um exercício que requer um esforço maior do estudante que por vezes precisa ler e reler para compreender um texto.

A dislexia, que é um distúrbio de aprendizagem que causa dificuldade na leitura e decodificação de letras e fonemas. O aluno disléxico encontrará maior dificuldade para adquirir a competência de leitura e escrita, coordenar as letras e sons correspondentes é mais difícil para eles. Entende- se que é um transtorno de origem neurológico, que afeta a capacidade de reconhecimento das palavras.(definição adotapela  IDA – International Dyslexia Association, em 2002.- retirado site https://www.dislexia.org.br/o-que-e-dislexia/)

Eu digo sacrifício porque o disléxico tem um processo mais demorado de aprendizagem da leitura e possivelmente poderá ser entendido como um sacrifício se não for tratado e acompanhado por especialista e pela familia, levará até a fase adulta essa especificidade. Entretanto com a ajuda de um especialista em psicopedagogia e uma equipe multidisciplinar pode superar suas dificuldades e se desenvolver normalmente.

Segundo o site do Dr. Drauzio Varella,

“Dislexia é um distúrbio causado por uma alteração cromossômica hereditária e que acomete de 0,5% a 17% da população mundial.

Dislexia é um transtorno genético e hereditário da linguagem, de origem neurobiológica, que se caracteriza pela dificuldade de decodificar o estímulo escrito ou o símbolo gráfico. 

(fonte: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/dislexia/)

O filme “S.W.A.T, primeira temporada, episódio 18, o personagem Luca ajuda uma menina a lidar com a dislexia e assume que também é disléxico, quem gosta de filme policial, vale conferir o filme. Sugiro também o filme “Uma família muito nobre”, 2013, em que o pai descobre que o filho é disléxico através de um bilhete com erros. O tema toma maior dimensão, popularizando o tema e as dificuldades encontradas por que enfrenta a dislexia. Podemos elencar uma relação de pessoas declaradamente disléxicas que tiveram uma vida profissional de sucesso e geralmente são altamente criativas.

Percebi nesses dias, que muitos pais não sabem quem deverá dar o diagnóstico de dislexia, a quem devem recorrer quando perceberem que o filho não se desenvolve na leitura.

O laudo deve ser dado por uma equipe multidisciplinar com médico, psicólogo, psicopedagogo, fono- audiólogo, neurologista. Entendo que hoje não é fácil ter acesso a todos esses profissionais. Se o aluno estiver em uma cidade fora dos grandes centros urbanos nunca terá todos esses profissionais disponíveis. Porém havendo um laudo vale afirmar que uma criança disléxica não é menos capaz ou menos inteligente que as demais crianças da escola, apenas tem dificuldade para se apropriar da leitura.

Procurar um atendimento o quanto antes é sempre melhor porque possibilita que a criança tenha um dia negativas com a leitura criando uma crença negativa sobre sua capacidade de aprender.

A família deve também, em casa, ler com ela livros e os conteúdos trabalhados em sala de aula, ajudando assim a fixar na memória a informação passada pela professora.

Algumas sugestões práticas para pais e responsáveis:

1- Estimule a leitura iniciando com livros com pequenos textos e gravuras.

2- Ofereça livros que abordem temas do interesse da criança, faça perguntas e se interesse pelo tema. Muitos youtubres mirins tem livros editados que podem ser interessante para eles.

3- Combine com a professora para que ela mande o texto com antecedência para que vocês possam treinar.

4- Faça pausas na leitura, controle a respiração e o ritmo da leitura.

5-Pinte os sinais de pontuação, propondo pausas e uma respiração na virgula e no ponto final.

6- Respeito o ritmo da leitura, deixe que a criança faça suas conclusões (controle a ansiedade de ver a criança lendo)

7- Elogie o esforço , para o dislexo é um grande esforço realmente.

8- Seja um exemplo de bom leitor.

9- Questione a compreensão do texto. Pergunte o que ele entendeu.

10-Releia o texto, em voz alta, para que a criança ouça e compreenda melhor

Veja o Mapa Mental abaixo:

Mapa Mental sobre as sugestões de estimulo a leitura

Com acompanhamento e tratamento adequado o dislexo terá uma vida escolar normal e poderá surpreender. Para isso quero tratar do tema da dislexia entre adolescente que também sofrem com o distúrbio.

Vamos ao longo da semana abordar o tema da dislexia, disgrafia e discalculia que são respectivamente a dificuldades na leitura, na escrita e na matemática, no intuito de ajudar a família a lidar com a dislexia.

Deixe nos comentários, abaixo, as dúvidas que você pai, mãe ou educadores têm sobre o tema da dislexia. Caso você queira compartilhe sua experiência, como vocês tem enfrentado a dislexia na família.

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Trabalhos escolares na quarentena

Ninguém precisa enlouquecer!

Tenho conversado com algumas mães nesse tempo de isolamento e a dificuldade de acompanhar as tarefas escolares é apontado como um fator de muito estresse na família. Cada uma está fazendo um esforço enorme para que os filhos não fiquem fora do processo de ensino oferecido pela escola.

Antes de tudo isso começar, de termos que ficar isolados em nossas casas, os pais não acompanhavam a vida escolar dos filhos de muito perto. O sinal vermelho acendia quando chegavam os boletins no final do bimestre. Agora, com a escola fechada, são chamados a participar de pertinho,, no dia a dia, do processo de ensino aprendizagem dos filhos.

Muitas dificuldades de aprendizagem ficam mais evidentes nesse tempo, os pais podem  assim perceber como o filho está diante do desempenho da turma, tendo  um olhar diferenciado sobre o comportamento do seu filho diante do desafio de aprender.

 Considerando mais essa batalha doméstica, reuni sugestões para que esta tarefa não seja um momento de conflito familiar, diante de tudo que tenho visto e ouvido.

*Tenha um plano de tarefas para o dia

Ficar o dia todo de pernas pro ar, o dia todo, não dá.

O isolamento faz com que percamos um pouco a noção do tempo. Quem ainda não se perguntou que dia da semana é hoje? Perdeu a noção das horas e do calendário. 

As crianças não são diferentes, por isso elas  precisam ter o dia organizado de forma a separar um horário para cada atividade, faça um planejamento de horário e cole na geladeira, de forma acessível e comece o dia revisando o que tem pra hoje.

*Reforce a autoestima

Uma autoestima robusta sobre a própria capacidade de aprender

‘ Para alguns alunos a escola pode ser um espaço hostil, principalmente quando o aluno não acompanha o ritmo da turma e do que é idealizado como sucesso escolar.

Os alunos de baixo desempenho sofrem, por vezes, micro agressões que questionam sua capacidade de aprender. Em casa  você pode aproveitar para estimular este aluno a modificar a sua crença.

 Assim como reforçamos a imunidade com vitaminas, podemos reforçar a auto estima com

pílulas de crença de autoeficácia.

1- Elogie o esforço muito mais do que o resultado do momento de aprendizagem.

        O elogio é tão acolhedor quanto um abraço.

2- Observe o que ele já sabe e fale do seu contentamento com o progresso que   ele  está alcançando.

3- Faça intervalos com tempos mais curtos de estudo e um bom lanchinho.

4- Retire os distratores, tudo que posso roubar a atenção (música, TV, conversas paralelas), criando um ambiente favorável à aprendizagem.

5- Observe como a criança aprende melhor, lendo, reescrevendo ou sublinhando o conteúdo.

6- Envolva todos os sentidos na aprendizagem, os sentidos são a porta de entrada do conhecimento, experimentar ajuda a fixar o conteúdo e faz com que você identifique o estilo de aprendizagem da criança.

7-  O cérebro grava melhor se fizer conexões de um conteúdo com informações já disponíveis no acervo da criança, então crie músicas, faça gestos, desenhos, faça links com objetos disponíveis e lugares já visitados pela família.

8- Valorize o que seu filho tem a dizer sobre seus interesses, invista um tempo em ouvir e incentive , mostre interesse. Deixe que a criança conclua a ideia que está expondo, depois corrija . 

9- Mesmo dentro de casa promova atividades em que a criança se movimente, deixe brincar, desenvolve muitas competências e brinque junto, se divirtam.

10- Faça contatos como os amigos, primos e outros familiares para que ela não se isole.

* Conte  histórias

   Não estou falando apenas das histórias que estão nos livros infantis, conte as suas histórias, fatos que fizeram parte da sua vida e de como você chegou até aqui.

Fale  da sua trajetória escolar, das matérias que você tinha dificuldade, de como você estudava para as provas, de eventos engraçados. Saber que foi uma época rica de facilidades e dificuldades pode criar um vínculo capaz de ajudar a criança a falar sobre o que passa na escola também, se precisa de ajuda para enfrentar algo desagradável, algum coleguinha sem “noção”, se sofre bullying ou não. 

Para contar histórias é preciso estarem juntos, reunidos, dando atenção ao que se fala. Quando os pais saem do pedestal e se colocam como passíveis de erros, de molecagens e de acertos também, isso fortalece o vínculo com os filhos. 

 Muitos valores e  verdade podem ser ensinados através dessas histórias, que mesmo que eles pareçam não levar a sério no momento, ficam guardadas nas gavetas da memória, poderá ser resgatada quando ela precisar.

Um grande perigo é estarem juntos porém cada um no seu quadrado, se esbarram pela casa mas mau se falam. Invista esse tempo para fortalecer o laço de afeto e parceria com seus filhos, eles vão guardar com carinho cada momento. Marque de maratonar juntos uma série, ver um filme que agrada a todos, comer pipoca e conversar.

Esse tempo requer novas estratégias para todos e acredito que possa ser uma oportunidade  proveitosa para os membros da família se esse tempo de reclusão for vivido com muito amor e respeito.

 A casa deve ser um porto segura de pessoas que se amam, se estimulam  ao crescimento e cooperam mutuamente. É o lugar onde nos preparamos para viver em sociedade. 

Gosto de falar para os responsáveis dos alunos da minha escola que precisam ir a sala da diretora, uma frase até engraçada: “ Que cidadão é esse que estamos formando?”. Pergunto aos pais quando vejo que estão reforçando um mau hábito nos filhos. Porque na verdade é uma parceria escola e família em que  a maior responsabilidade cabe a família de ensinar os valores do bem viver dentro e fora de casa.

Não podem delegar a escola a criação dos filhos e estamos vendo isso acontecer por todos os lados. Crianças que ficavam o dia todo fora de casa sendo educados por vários atores menos pelos pais. Agora é hora dos pais retomarem esse lugar de autoridade e responsabilidade que lhes cabe.

Muito mais do que o excesso de conteúdo apreendido o momento requer reforçar o compromisso com o aprender e com a certeza de que todos são capazes, ainda que precisem de um tempo diferente para se desenvolver.

Márcia Oliveira

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ENEM não pode parar. Será?

Já dissemos que todos estão correndo, trabalhando para se adaptar ao contexto que nos foi imposto pela pandemia,a educação não é diferente, todos estão criando ambientes diversificados de aprendizagem, entretanto o Ministério da Educação age como se nada acontecesse, se a vida continuasse seguindo em águas tranquilas.

Os educadores estão a beira de um ataque de loucura com as exigências das aulas a distância, criar videos, se entender em várias plataformas, conseguir interagir com os alunos etc e tal. Mesmo assim o olhar sobre a educação continua a ser o mesmo, o conteúdo: excesso de conteúdo. Sobre esse assunto falaremos em outro momento.

Não adequar a data de aplicação do ENEM revela que o Ministério da Educação está totalmente desconectado da realidade, qual o planeta essas pessoas estão vivendo porque o nosso mundo todo está afetado pela pandemia. Que ideias fundamentam esse olhar do ministério, a propaganda é cheia de princípios.

A quem se dirigi? Não é a todos os estudantes porque cerca de 50% não dispõe de condições de manter os estudos a distância. Seja por acesso precário a internet, falta de livros ou porque não desenvolveram autonomia pedagógica para estudar sozinho.

A desigualdade é gritante entre os estudantes no Brasil e desconsiderar isso nos aponta que tipo de politica educacional está pautada o Ministério da Educação. Considerando que não podem alegar ignorância dos fatos, questiono a quem interessa manter as datas das provas. Que tipo de apologia está por trás desse posicionamento?

Me leva a pensar que o que eles desejam mesmo é a exclusão. E dai? Se não tem igualdade de condições. Que se esforcem mais, de muitas formas….

Lamentável!

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Depois de dois anos escrevendo as “Coisas de Pedro”, que é uma página na rede social Facebook onde registro com bastante frequência a maneira toda especial, divertida e amorosa com que o Pedro entende o mundo, resolvi que era, mais uma vez, hora de separar as “coisas”. “Coisas de Mãe...de Pedro”, portanto, é um projeto que está nascendo do meu desejo de continuar compartilhando os meus desafios e a minha construção no exercício diário de ser mãe e, principalmente, de ser mãe...do Pedro.

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